GARAGEM
Relato recebido em 23/04
Recebemos o relato de um condômino que foi surpreendido com a aplicação de multa por não estar com o cartão de identificação do veículo visível na garagem.
O ponto que chama a atenção, no entanto, é a forma como a situação foi conduzida.
Segundo o morador, ao estacionar o veículo, ele subiu rapidamente até o apartamento para buscar o cartão e colocá-lo no carro. Em questão de poucos minutos, ao retornar, já havia sido registrado o ocorrido: o zelador tirou uma foto do veículo e encaminhou diretamente para a administração, dando início ao processo de multa — sem qualquer tentativa de diálogo, orientação ou abordagem prévia.
Esse tipo de situação levanta um questionamento importante: até que ponto estamos aplicando regras com equilíbrio e bom senso?
Não se trata de defender o descumprimento de normas, mas sim de refletir sobre a forma como elas são aplicadas. Um intervalo de poucos minutos, em uma ação claramente corretiva por parte do morador, dificilmente configura má-fé ou desrespeito deliberado às regras do condomínio.
Além disso, é preciso avaliar o papel dos funcionários. A função do zelador deve estar voltada à organização, orientação e manutenção do ambiente, e não à atuação punitiva direta. A prática de registrar imagens com objetivo imediato de penalização, sem tentativa de resolução amigável, pode gerar um ambiente de vigilância excessiva e desconforto entre os moradores.
Moderador
Como moderador, o caso reforça a necessidade de aplicar regras com equilíbrio e bom senso. O próprio condomínio já possui um sistema de cadastro de veículos, ou seja, há meios suficientes para identificar quem é morador. Diante disso, punir um condômino que apenas esqueceu de expor o cartão — e que inclusive retornou em poucos minutos para corrigir — soa desproporcional.
É importante destacar que, conforme o relato, o veículo não causou qualquer transtorno, não bloqueou vagas e não prejudicou outros moradores. Nesses casos, a abordagem deveria priorizar a orientação e o diálogo, e não a penalização.
A função das regras é organizar a convivência, não criar armadilhas punitivas. Quando há boa-fé e ausência de impacto coletivo, o caminho mais adequado é a advertência educativa. O excesso de rigor em situações simples acaba gerando desgaste desnecessário e um ambiente de desconforto, quando o objetivo deveria ser exatamente o contrário: convivência harmoniosa e respeitosa.
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